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quarta-feira, 6 de março de 2013

#Eu Recomendo: The Following



Sinopse: Um notório assassino em série, chamado Joe Carroll, escapa do corredor da morte e começa a matar novamente, o que faz com que o FBI entre em contato com o ex-agente Ryan Hardy para dar consultoria no caso.
Aposentado, Hardy foi o responsável por capturar Carroll nove anos antes, portanto, sabe exatamente como o criminoso age, conhecendo-o melhor do que qualquer um. Entretanto, o ex-agente não é a mesma pessoa de anos atrás, já que traz feridas físicas e psicológicas ligadas ao caso.
Apesar de seu grande conhecimento, Hardy é visto como um problema para o time encarregado do caso, entre eles os agentes Mike Weston e Jennifer Mason. Entretanto, o Hardy prova ser de grande valia quando descobre que Carroll está se comunicando com uma rede de criminosos em todo o mundo.
Fica claro que escapar da prisão era apenas o primeiro passo de algo muito maior, envolvendo assassinos diversos e desconhecidos. Carroll está focado em terminar aquilo que começou nove anos antes, colocando Hardy como uma peça importante de seu tabuleiro. Enquanto isso, Hardy terá uma segunda chance de capturar seu grande inimigo, enquanto lida com um culto de serial killers. (Fonte: Orangotag)


The Following é uma das grandes estreias neste ano, tendo sido super bem recepcionada pelo público. E o grande motivo para tal, a meu ver, está na união de uma trama cativante e personagens perturbadores.

Joe Carroll era um professor universitário de literatura, obcecado pelo trabalho de Edgar Allan Poe. Inspirado pelos temas mórbidos do autor, procura criar a sua própria "arte" ao assassinar jovens mulheres - pois, para Poe, não existia nada mais trágico que a morte de uma bela mulher jovem. Carroll é cativante ao extremo. Como professor ele sabia como envolver seus alunos e manipulá-los através do seu discurso.

E é aí em que está o perigo.

Mesmo tendo sido preso e condenado, Carroll continuou com o seu plano. Conseguiu ter "seguidores" - admiradores passionais que foram conquistados pelo charme e a capacidade de saber exatamente o ponto fraco da pessoa e fazê-la se sentir importante e útil. Esses seguidores são envolvidos em um grande plano, o que, segundo Carroll, vai ser o seu livro, a sua grande estória publicada, tendo como herói o homem que o condenou. Cada etapa de seu plano é um ato, meticulosamente planejado e detalhado.

A tensão toda na série é não saber quantas pessoas estão envolvidas na "seita" de Joe Carroll. Somos apresentados a alguns desses personagens aos poucos, formando as ligações delas a Carroll e como elas vão se encaixando e formando a trama. Cada seguidor com sua vida própria, seus dramas, complexos e ambições. E claro, todos absolutamente psicologicamente comprometidos, inclusive o próprio herói da estória.

Kevin Bacon tem feito uma construção pra lá de interessante do ex-agente do FBI, Ryan Hardy. Sempre intercalando os acontecimentos atuais com flashbacks, notamos o quanto o ex-agente foi comprometido pela sua participação na caçada ao serial killer, em que efeitos físicos e psicológicos influenciaram muito a sua vida. 

Como tem gente doida nesse mundo, meu povo!

Mas a série vale a pena, e muito! O primeiro episódio já me conquistou só com as referências a Edgar Allan Poe. Depois a coisa toda vai se desenvolvendo de tal modo que é meio difícil não se deixar impressionar pelo magnetismo do vilão (James Purefoy, seu lindo!) e a bizarrice de se ter uma comunidade de serial killers.

Série super recomendada - e olha que legal: já foi renovada para uma segunda temporada!


"Lord help my poor soul!"



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

#Eu recomendo: Infâmia (The Children's Hour, 1961)



Sinopse: Karen (Audrey Hepburn) e Martha (Shirley MacLaine) são duas professoras de uma escola que veem suas vidas virar de ponta a cabeça quando uma das crianças, irritada por ter sido castigada, insinua que as duas mantem um relacionamento amoroso. A história logo é espalhada na cidade, e todos começam a ficar indignados com as duas. Elas decidem abrir um processo de calúnia, chegando aos jornais de todo o país. (Fonte: Cinema Clássico)


Estava para ver esse filme há meses, e só em um típico domingo tedioso lembrei dele e resolvi assistir. E não me arrependi.

Adaptação da peça de Lillian Hellman, "Infâmia" é, acima de tudo, um filme corajoso. Retratar o lesbianismo de modo tão verdadeiro e intenso, na década de 60, é um mérito e tanto. Mas o modo como a narrativa é conduzida, cheia de insinuações e coisas não-ditas, mas também com muita delicadeza, torna tudo mais interessante.

Pois, ainda hoje, ainda é assim que o tema é tratado por muitas pessoas. Com o disse-me-disse, com preconceito e calúnias e uma ignorância absurda.

O filme, que começa com uma atmosfera tão leve por ser em uma escola de educação infantil para garotas, acaba se tornando opressivo conforme toda a situação com as duas professoras acaba se intensificando, em que o ambiente vai se tornando mais e mais sombrio, refletindo o estado de espírito das duas mulheres.

O desfecho é chocante, cru, um verdadeiro soco no estômago. O que poderia ter sido só um comentário cruel de uma criança birrenta e venenosa cresce, cria corpo e modifica a vida de tantas pessoas.

As interpretações para o filme são muitas.

E é um filme que vale muito a pena ver pelos temas discutidos e pelas excelentes atuações. Acostumada a ver Audrey Hepburn em filmes mais leves, é sempre um prazer vê-la representar personagens mais densos - mas sempre soube que ela era uma atriz competente, vide sua interpretação de Holly Golightly em "Bonequinha de Luxo". E Shirley MacLaine está fantástica no papel de Martha, sempre tão angustiada e intensa.

O filme completo está disponível no youtube. É só aproveitar: