quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Resenha: Territórios Invisíveis, Nikelen Witter



Sinopse: Nem sempre os acontecimentos extraordinários se manifestarão para pessoas especiais. Por vezes, o que alguns chamam de Destino nada mais é do que uma coleção de acasos, selecionados pela sorte. Ou, pela falta dela.

A vida dos gêmeos Ariadne e Hector nada tinha de excepcional. A não ser, talvez, pelo desaparecimento da mãe, a historiadora Marina, há quatro anos. Porém, para quem vive nas grandes cidades (por vezes, até mesmo nas pequenas), este é um pesadelo que se pode encontrar em qualquer jornal. Assim, às vésperas de completarem 13 anos, os dois irmãos dividem seu tempo entre fugir da dor da perda, implicar um com o outro, atormentar o pai e conviver com os três melhores amigos: Neco, Leo e Camila.

Acontecimentos incomuns os rondam, se fazem próximos, embora ainda não perceptíveis. Então, quando o irmão mais novo de Leo é raptado, o extraordinário os arrebata. Os sequestradores do pequeno Mateus exigem a entrega de uma misteriosa caixa de segredos, não maior do que um tijolo, entalhada com um sol com raios que vertem lágrimas – um sol que chora. A caixa foi construída de maneira a permanecer inacessível até que as peças que a formam, organizadas em quebra-cabeças, tenham seus segredos desvendados.

Aventure-se com esses amigos por um navio pirata, terras misteriosas, seres extraordinários, cavernas de tesouros e muito mais! (Fonte: Editora Estronho)

 

Dos livros lançados em 2012, Territórios Invisíveis foi um dos mais aguardados por mim. Já conheço a narrativa da autora há anos, da época em que eu era leitora (e autora) voraz de fanfictions, e cheguei a ler alguns de seus textos originais. Conhecendo a qualidade de seu texto, só podia ser uma expectativa boa.

E o livro já me ganhou logo no primeiro capítulo, diante do modo envolvente como as descrições são feitas e os mistérios se insinuando e prendendo a curiosidade logo ali, no comecinho, causando curiosidade.

Sou obcecada por começos de estórias, mais ainda do que com a conclusão em si. Porque é a expectativa toda ali no começo que precisa me ganhar e me seduzir, e já larguei não sei quantos livros por causa de um começo desestimulante. E “TI” (assim carinhosamente chamado pelos seus fãs) tem um começo perfeito no que diz respeito ao modo como a estória te convida.

Quando somos apresentados, no capítulo seguinte, aos protagonistas, os irmãos gêmeos Hector e Ariadne, o que marca não é, a princípio, a personalidade distinta e marcante de cada um deles. O que me encantou foi ver o modo realista como dois pré-adolescentes são retratados diante do trauma que foi o sumiço da mãe, cada um lidando do seu próprio modo com esta ausência. É cansativo ler literatura infanto-juvenil que, mesmo se for para as bandas da Fantasia, esquece-se de manter certo pé-no-chão nas caracterizações. Não é o caso aqui e o que adorei tanto foi notar que não houve um descaso e infantilização desnecessária de um tema sério (o sumiço de um familiar) e do modo como criamos mecanismos para lidar com a perda – principalmente a caracterização da personagem Ariadne. Ponto positivo.

Aos poucos vamos sendo envolvidos na trama dos misteriosos assassinatos, do sumiço de Mateus, irmão de Leo (amigo de Hector), e das coisas estranhas que parecem ligadas à pesquisa da mãe historiadora dos gêmeos que desaparecera durante esta pesquisa, enquanto também somos apresentados aos pouquinhos a cada novo personagem.

A trama toda é surpreendente, pois não fazia a mínima ideia do seu desenvolvimento e o que seriam os tais “Territórios Invisíveis”. Mais de uma vez me peguei surpreendida por uma ou outra referência (uma relacionada à Ariadne e outra que me lembrou muito Harry Potter, mas não conto o que é! Rs) e por conta de toda a dimensão do universo criado.

Fantástico em todos os sentidos.

Se a resenha parece vaga, é justamente para não entregar spoilers. A graça toda é embarcar na estória e tentar descobrir, junto aos personagens, todo o suspense vivenciado e como tudo pode estar relacionado aos gêmeos.

É um livro bem escrito e bem pensado, com um gancho no final que já me deixou na expectativa para uma continuação – que já sei que vem!

Se tenho alguma ressalva é em relação à revisão, já que encontrei uma coisinha ou outra fora do lugar. Nada que comprometa a leitura ou a compreensão do texto (longe disso!), mas, revisora que sou, não consigo ignorar quando encontro.

No mais, é uma leitura extremamente recomendada. Não subestima o leitor e tampouco os jovens personagens e ainda conta com um enredo bem legal. Sem contar o trabalho gráfico, que é maravilhoso!

5 comentários:

olhosderessaca disse...

Ahhh, já tinha ficado curiosa com o livro quando você foi comprar e agora depois dos comentários fiquei bem curiosa mesmo, tirando que gostei muito de saber que os personagens se comportam conforme sua idade, isso tem sido raro nas obras que usam pré-adolescentes hoje em dia. Bjsss

Caroline Oliveto disse...

Confesso que fiquei curiosa, já tinha visto algo sobre o livro no seu facebook, e a resenha me deixou com muita vontade de ler (é difícil encontrar livros infanto-juvenis assim)

Jéssica O. disse...

Dani, quando quiser eu te empresto o livro, é só falar quando. ;)

Carooool, obrigada pela visita. Ultimamente dei sorte com os infanto-juvenis que li, todos muito bons. ;)
(procura "o livro das coisas perdidas", é ótimo!)

Grey disse...

A leveza de uma resenha sem a entrega de spoilers...

Eu que sou uma devoradora dessas praguinhas admito que fiquei no mínimo sedenta, pois sei que você não faria média com alguém Zinha. (No máximo não se daria o trabalho de comentar...)

Vai pra minha listinha do Skoob, quem sabe um dia? Estou lenta na leitura e pobre na grana, mas fica registrado o desejo.

A capa realmente parece divina!

E o último pré-adolescente que li foi encantador, tenho boas lembranças do gênero apesar de não ser o meu forte.

Um beijo enorme, obrigada pela dica. E pela simpatia sempre presente. <3

Jéssica O. disse...

Zinha, bom te ver aqui!
Eu que agradeço a simpatia, sempre tão atenciosa e querida!

Precisamos confabular mais vezes. ;)