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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Oscar 2013: Os Miseráveis (Les Misérables)


Sinopse: Adaptação de musical da Broadway, que por sua vez foi inspirado em clássica obra do escritor Victor Hugo. A história se passa em plena Revolução Francesa do século XIX. Jean Valjean (Hugh Jackman) rouba um pão para alimentar a irmã mais nova e acaba sendo preso por isso. Solto tempos depois, ele tentará recomeçar sua vida e se redimir. Ao mesmo tempo em que tenta fugir da perseguição do inspetor Javert (Russell Crowe). (Fonte: Adoro Cinema)


Depois de assistir o filme pela segunda vez, acho que estou minimamente capaz de fazer uma resenha razoavelmente decente. Normalmente eu não tenho muita disposição para ver um mesmo filme duas vezes no cinema, mas Les Mis merece. E muito.

Como já disse algumas vezes, esse filme é para quem gosta de musicais. Não adianta um não-apreciador do gênero assistir, porque provavelmente vai ter uma crítica negativa. Principalmente porque a maioria esmagadora das falas não é recitada (proferida?), mas cantada pelos personagens. Mas para quem ama, adora e venera musicais (eu!), é um prato cheio.

Mas por que?

O musical une a grandiosidade do musical e o cuidado que uma produção épica de uma história de época exige. A caracterização de lugares e personagens é cuidadosa, e quase te faz sentir na pele a miséria vivida por aqueles que viviam na França do século XIX.

O fio condutor do filme está em Jean Valjean. São as suas atitudes que movem o desenrolar do filme, que trata de sub-enredos que acabam se cruzando. Seja no seu eterno confronto com o inspetor Javert, sempre desconfiado com a sua possível regeneração, na sua missão de vida que é reparar o mal feito à Fantine (Anne Hathway) ao cuidar de sua filha pequena, Cosette ou seja no seu envolvimento na Revolução dos Estudantes, em que faz de tudo para preservar a vida de Marius, enamorado de Cosette. Todas as atitudes de Jean Valjean são tentativas de se provar digno da confiança recebida pelo Monsenhor, um modo de se redimir de uma vida que parecia fadada à desgraça, ao ódio e ao crime.

E nisso, a interpretação de Hugh Jackman é sublime. Ele consegue transmitir todas as nuances do personagem de modo competente, e assumo que chorei em várias cenas dele. Sem nos esquecermos que grande parte da interpretação está em sua voz, cantando todos os sentimentos do personagem, o que intensifica a dramaticidade das situações e emoções vividos por ele.

Esse também é o caso de Fantine, que mesmo aparecendo tão pouco em cena, consegue transmitir toda a tragédia de sua vida e nos comover tão profundamente. Eu ainda não consigo esquecer o quanto a cena em que a personagem canta "I dreamed a dream" me comoveu e me deixou com um nó na garganta. É uma desesperança tão grande com a lembrança de um passado que fora feliz e que deixara no lugar somente dor, e que agora cobra dela por ter ousado sonhar com algo que não lhe era permitido. Sinceramente, estou torcendo que a sua intérprete ganhe o Oscar, super merecido!

Há quem diga que o filme é exagerado e excessivamente dramático. Mas convenhamos, esse é o charme dos musicais. E lamentei muito não estar em um teatro para ovacionar cada cena.







segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Oscar 2013: O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, 2012)



Sinopse: Por conta de algumas atitudes erradas que deixaram as pessoas de seu trabalho assustadas, Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) perdeu quase tudo na vida: sua casa, o emprego e o casamento. Depois de passar um tempo internado em um sanatório, ele acaba saindo de lá para voltar a morar com os pais. Decidido a reconstruir sua vida, ele acredita ser possível passar por cima de todos os problemas do passado recente e até reconquistar a ex-esposa. Embora seu temperamento ainda inspire cuidados, um casal amigo o convida para jantar e nesta noite ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma mulher também problemática que poderá provocar mudanças significativas em seus planos futuros. (Fonte: Adoro Cinema)


Eu não vou me lembrar direito onde li, e nem se a expressão era exatamente essa. Mas o filme "O Lado Bom da Vida" é como uma "ode aos desajustados". E não poderia concordar mais.

Inspirado no livro homônimo, a trama acompanha as desventuras de Pat, que acaba de sair de uma internação no sanatório, disposto a fazer de tudo para conseguir a sua vida de volta, sempre guiado pelo mote "Excelsior" ("sempre para cima"). Mesmo com todos os seus distúrbios mentais e as complicações da convivência em família, Pat ainda assim acredita que tudo vai melhorar. E isso é explicitado de modo interessante ao mostrar as constantes corridas que o personagem faz ao longo do filme, como se perseguindo esse seu objetivo ideal.

Mas então entra Tiffany em sua vida. A garota, cunhada de seu amigo, também passa pelo seu momento negro, viúva precoce e tentando levar a vida do jeito que consegue. E que também não é lá dos melhores. Tiffany literalmente atravessa a vida de Pat e muda todos os seus conceitos.

O filme pode ter pecado em alguns aspectos, uma ou outra coisa clichêzuda (principalmente no final), mas uma coisa é inegável: a interação entre os personagens é fantástica, principalmente nos diálogos entre Pat e Tiffany, sendo que ela é dotada de uma sinceridade agressiva de impressionar, contrastando com o pensamento positivo (chegando a ser infantil) de Pat. As interpretações são fantásticas, e cabe aqui destacar, também, o papel de Robert De Niro interpretando o pai de Pat, o qual também tem os seus distúrbios e manias, mas que acaba criando uma identificação única entre pai e filho.

E você acaba se apegando tanto aos personagens, que é difícil desgostar do filme. E Pat, querido, eu também já senti vontade de jogar Hemingway pela janela.

Super recomendado, e já quero ler o livro. Como sempre, né.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Oscar 2013: Amor (Amour, 2012)



Sinopse: Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva) são um casal de aposentados, que costumava dar aulas de música. Eles têm uma filha musicista que vive com a família em um país estrangeiro. Certo dia, Anne sofre um derrame e fica com um lado do corpo paralisado. O casal de idosos passa por graves obstáculos, que colocarão o seu amor em teste. (Fonte: Adoro Cinema)


A sinopse não chega, nem de longe, perto da beleza desse filme.

É belo porque é poético e ao mesmo extremamente real e cru em mostrar a situação vivida pelo casal de idosos. O filme nos apresenta, no início, o cotidiano tranquilo e confortável dos dois, tão habituados pelas décadas de casamento.

Com a doença de Anne, o que vemos é a deterioração da saúde da esposa, ao mesmo tempo em que há o fortalecimento do sentimento que os uniu tantos anos antes. O "na saúde e na doença" é levado a sério, pois amar nos bons momentos é fácil. Contudo, Georges mostra a cada cena, a cada atitude, que está comprometido em fazer tudo o que estiver ao seu alcance para tornar cada momento da vida da esposa o mais confortável possível.

Não é um filme fácil de ver, porque é como um soco no estômago ver cenas que são facilmente vistas em uma casa com pessoais idosas e/ou doentes. Mas a beleza do filme está em mostrar isso com dignidade, respeitando os personagens sem cair no melodrama. Cada gesto de Georges é uma demonstração da devoção feita em votos, mas também evoca os gestos dos amantes que foram - e que permanecem sendo, de um modo ou de outro, e que parecem impregnar as paredes do apartamento.

E o seu desfecho é de uma agonia enorme. É seco. Duro de se ver. Mas resume com maestria toda a proposta do filme, o de mostrar até que ponto vamos por Amor (com A maiúsculo, sim!) e o que somos capazes de fazer pela pessoa amada.

Mais do que isso não dá para dizer, porque seria estragar o filme. O encanto está em descobrir cada minúcia ao longo das cenas.

Super recomendado.


PS: Pensei em me propor a ver os filmes do Oscar 2013 e resenhar aqui, mas como sei que não vou conseguir (já larguei Lincoln, imagina o resto?!), só vou resenhar os que assistir e achar que valem a pena. ;)