domingo, 9 de fevereiro de 2014

"Mas a menina não quer casar?"

Estou mais próxima dos 30 do que dos 20 e, com uma certa frequência, tenho escutado comentários preocupados sobre a minha solteirice. Na maioria das vezes esses comentários são feitos à minha mãe por pessoas perplexas com o fato de eu continuar "sozinha".

"Mas a menina não quer casar? É tão bonita, tão inteligente! Devia arrumar alguém!".

Tento manter a calma nessas horas. Tento pensar que são pessoas que querem me ver bem e que, na sua concepção de vida, acham que seguir o roteiro "casamento-filhos-família" é a fórmula certa para a felicidade. Tento relevar, não me importar com a ansiedade que os outros sentem em relação ao meu relógio biológico, afinal, estou envelhecendo (26 anos de idade e sou velha, vejam só!).

Juro que tento.

Mas está ficando cada vez mais difícil não soltar uma resposta atravessada.

Entendam uma coisa, amig@s: eu não sou contra o casamento tradicional. Para falar a verdade, pouco me importa o modo como as pessoas escolhem viver suas vidas. Se querem um relacionamento ou não, se preferem se dedicar a outras coisas, se preferem criar gatos ou sei lá mais o que.

Honestamente, o que eu quero é que cada um viva como lhe aprouver e ser feliz assim. O melhor para você pode não ser o melhor para mim, isso é um tanto óbvio.

Estou em um bom momento da minha vida como há muito tempo não vivenciava. Estou tranquila em relação a várias coisas, mas ver esse tipo de pressão muito tem me incomodado. Pelo simples fato de ser mulher e precisar ter um companheiro comigo. Como se somente isso validasse a minha feminilidade. Porque não importa se estou indo bem na minha carreira profissional, se tenho crescido como indivíduo, se tenho conseguido conquistar coisas pelo meu próprio mérito.

Porque nada disso importa já que só vou ser completa, como mulher, quando eu tiver um homem. Porque a sociedade ainda exige isso de mim. Porque a mídia ainda me enfia, goela abaixo, que eu preciso ser tudo aquilo que não sou para ser perfeita. Porque as pessoas ainda acreditam que só vou ser feliz assim.

Quanta bobagem, meu povo. Quanta bobagem!

(Que hoje eu tô meio implicante, hoje você deu azar!)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

#Music Monday: Teardrop

Love, love is a verb 
Love is a doing word 
Fearless on my breath


Acordei com essa música na cabeça hoje, que é do Massive Attack e ficou bem famosa por causa da abertura do seriado House M.D., que eu costumava assistir com uma certa frequência:



E preciso mencionar um cover lindo do José González, que descobri não sei como há alguns anos:



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mais-que-(im)perfeito

"It's better burn out than to fade away..." escreveu Ela na página dele em uma rede social. Como se fosse um desafio, uma provocação bem direcionada aos constantes comentários oblíquos que ele costumava lhe deixar.

Toda Ela era um imperativo. Não daqueles que são negativos, implicando uma recusa que ele sabia ser incapaz de dar. Era sempre amo, odeio, venero, fujo, necessito, procuro, desejo mais e mais e mais... Com Ela era sempre tudo muito espontâneo, terrivelmente direto e inexpugnável.

E ele?

Pobre, pobre infeliz, apenas um subjetivo envolto em dúvidas, anseios, sonhos e suas (im)possíveis causas para um amor natimorto.

Por Deus, lá estava ele outra vez falando de Amor, como se soubesse o que quer que fosse do assunto. Conhecia o sentimento exacerbado somente através de filmes, leituras infinitas e das canções angustiadas que embalaram a sua adolescência perdida.

Ensaiou fazer-lhe uma declaração um sem número de vezes. Tantos eram os cenários e situações... 

As fantasias eram as mais variadas: ora Ela o aceitava e retribuía o seu amor, ora lhe respondia com um sorriso indulgente e uma oferta de amizade. 

Mais de uma vez esteve prestes a lhe enviar um dos muitos textos que transpirava em noites insones enquanto pensava nela. Mais de uma vez quase ligou no meio do dia, no momento mais aleatório possível, apenas para dizer que sentia sua falta. Mais de uma vez tentou ser menos ele.

Ele era patético, era essa a verdade.

É que não sabia amar sem que fosse platônico. 

A possibilidade de se expor o aterrorizava sim, era verdade. Mas o que o consternava mais ainda eram as infinitas possibilidades - justo ele, que era dado a fantasias tresloucadas.

Se Ela o aceitasse, era certo que não duraria. Ele era calado demais, ensimesmado demais, estranho demais. Não saberia como compartilhar a sua alma solitária, deixar que ela o enxergasse. Mesmo quando Ela dizia gostar do seu ar de poeta romântico, ele sentia que nunca seria capaz de exprimir um centésimo de tudo aquilo que sentia por Ela, que eventualmente se cansaria dele.

E a possibilidade da rejeição, meus amigos... ah, isso era muito mais do que ele era capaz de suportar.

Por isso permaneceria assim, alimentando-se das migalhas de atenção que Ela lhe dava. Um dia, talvez, ele lhe entregaria o seu coração, para ser usado e manipulado como Ela bem entendesse. Um dia, quem sabe, deixaria de ser um covarde. 

Mas não tão em breve. Não hoje, não agora.

Ainda não estava pronto para abrir mão do seu amor egoísta.


(Jéssica Oliveira - 27/01/2014 - passível de ser reescrito ad infinitum)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

#Music Monday: The Best of Talking Heads - Once in a Lifetime



Colocando em prática uma das minhas "resoluções" para 2014: conhecer melhor mais bandas "antigas" - porque, honestamente, adoro desencavar coisas que me trazem aquela sensação de reconhecimento. E Talking Heads é uma dessas bandas - já acordei um sem número de vezes, nos sábados de manhã, com o meu tio ouvindo isso alto aqui do lado (oun).

Tracklist:


  1. "Psycho Killer" 
  2. "Take Me to the River" 
  3. "Once in a Lifetime" 
  4. "Burning Down the House"
  5. "This Must Be the Place (Naive Melody)"
  6. "Slippery People" 
  7. "Life During Wartime" 
  8. "And She Was" 
  9. "Road to Nowhere" 
  10. "Wild Wild Life" 
  11. "Blind"
  12. "Houses in Motion" 
  13. "(Nothing But) Flowers"
  14. "Love → Building on Fire" 
  15. "Uh-Oh, Love Comes to Town" 
  16. "Sax and Violins"
  17. "Lifetime Piling Up"


Menção honrosa: "Psycho Killer" (vai dizer que não é empolgante todo o "fa fa fa fa fa far bettter, run run run run run awaaaaaaay") e "Road to Nowhere"


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Interregno

E esse calor!

Tudo muito colorido demais. Tudo muito barulhento demais. Tudo muito intenso demais.

Tudo muito tudo demais.

Sinto falta do outono, do cinza, do esmorecer das luzes, das longas noites de espera.

Sinto falta de sentir tua falta.

Não dá para escrever angústias fingidas assim.