quando fui despedaçada, ainda não era dona de mim
era toda sentidos e sentimentos
confiando em palavras e promessas que não eram
em algum lugar ficou perdido um caco
talvez o átomo elementar e definidor
o big bang prestes a eclodir e expandir o universo
a partícula divina
e foram anos e décadas e infinitas vidas não vividas
e foram angústias e dores e o não sentir incompleto
e não penso no que ficou como sendo o que restou
mas como o que sobreviveu
e dos cacos eu vou criar arte e me refazer
bela como um vitral dando passagem à luz
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
segunda-feira, 23 de março de 2015
#Music Monday: Time and Tide, Battlefield Band
Preciso confessar uma coisa que já nem é mais segredo para quem tem convivido comigo nos últimos tempos: estou total, completa e irremediavelmente viciada em Outlander. Começou com a série exibida pela Starz, para logo em seguida ser tragada por esse universo cativante através dos livros que deram origem à série, escritos por Diana Gabaldon (prometo fazer post gigante e histérico pra te convencer a ler os livros, palavra de Sassenach!). E como não sei ser uma fangirl contida, estou devorando os livros (foram 8 publicados até agora, e nem um pouco curtos), acompanhando blogs de fãs e escutando playlists que lembrem o ambiente envolvente das Highlands. Numa dessas playlists descobri o grupo de música tradicional escocesa Battlefield Band, que tem umas coisas lindas e mágicas - sendo que estou particularmente viciada em "Time and Tide":
domingo, 14 de dezembro de 2014
HQ: Priya's Shakti
Já tinha visto por alto, rolando nas internerds, comentários sobre a HQ Priya's Shakti, mas até então não fui atrás de mais detalhes. Até que hoje li uma matéria sobre o assunto e fiquei muito interessada.
Priya's Shakti é uma HQ sobre uma garota indiana que, após sofrer um estupro coletivo brutal e ser banida pela família, ganha poderes da deusa do amor e fertilidade Parvati, que se compadece da situação da garota e resolve fazer algo em relação ao patriarcado e machismo que afeta tantas mulheres, encarnando no corpo da garota violada.
A iniciativa teve como inspiração o caso do estupro coletivo na Índia, em que uma garota fora atacada dentro de um ônibus, violentada e espancada por seus agressores.
O mais legal de toda a iniciativa desta HQ é que ela pode ser adquirida gratuitamente no seu website., sendo de fácil acesso a quem tiver interesse. Já baixei para o meu PC (em formato ePub, olha que bacana!) e vou ler muito em breve - e vou deixar comentários sobre a minha leitura aqui no blog.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
#Music Monday: Shake it off, Taylor Swift
É segunda, tá um calor do capiroto e estamos passando por reforma aqui em casa (cimento everywhere!). Portanto, tô precisada de uma música chiclete animadinha para sobreviver - confesso que adoro o clipe, me deixa!
E ainda me espanto em estar escutando Taylor Swift.
domingo, 19 de outubro de 2014
10 músicas que me deixam feliz
Eu sei, normalmente posto o Listas Aleatórias na minha coluna quinzenal no blog Vintecinco Devaneios, mas como a ideia pra essa lista é bem pessoal, resolvi postar aqui como um exercício para fechar bem o domingo e começar a semana com uma boa vibe.
Confesso que a maioria das músicas fui encontrando conforme fucei a minha pasta de músicas, então não é nada com uma ordem lógica. Aliás, a lógica passou longe aqui. :D
1- She's a rainbow - The Rolling Stones
2- Come on Eileen - Dexy's Midnight Runners
3- Golden Years - David Bowie
4- New Soul - Yael Naim
5- Venus - Bananarama
6- Friday I'm in Love - The Cure
7- With a little help from my friends - The Beatles
8- O Vira - Secos e Molhados
9- Don't stop me now - Queen
10- The dog days are over - Florence and the Machine
PS: TÃO difícil encontrar músicas felizes, seria infinitamente mais fácil encontrar músicas depressivas no meu acervo. Mas divago.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
#Music Monday: Shake it Out (Florence and the Machine)
"It's hard to dance with a devil on your back, so shake him off"
Pra começar a semana bem: Shake it Out!
domingo, 5 de outubro de 2014
#Aquisições Literárias (Setembro)
Faz um bocado de tempo que não posto as minhas aquisições literárias aqui por motivos de preguiça, no máximo tenho postado fotos no meu instagram. Comprei um bocado de coisa nos últimos meses, mas meio que perdi um pouco a conta do que fui adquirindo, por isso só vou deixar aqui as compras do último mês:
Os Diários de Bluebell - A vida depois de Iris, da Natasha Farrant
Participei de um evento da Martins Fontes no qual a autora esteve presente, falando das suas obras e sobre literatura infanto-juvenil. Fiquei bem interessada pelo enredo do livro; então, aproveitando que ela estava lá, comprei o livro e consegui o autógrafo.
World Without End, Ken Follett
Este livro é uma espécie de continuação de "Os Pilares da Terra". Como comprei a minha edição do primeiro livro em inglês, também queria que a continuação fosse em inglês, para ter tudo combinando. E nunca que achava o World Without End com facilidade. Daí que um dia, na Saraiva, quando menos espero, acabo encontrando o livro. Coloquei embaixo do braço na hora e agora sou uma pessoa mais feliz:
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Resenha: As Vinhas da Ira, John Steinbeck
Sinopse: As Vinhas da Ira é um romance sobre a dignidade humana em condições desesperadas. Entre 1930 e 1939, as grandes planícies do Texas e do Oklahoma foram assoladas por centenas de tempestades de poeira que causaram um desastre ecológico sem precedentes, agravaram os efeitos da Grande Depressão, deixaram cerca de meio milhão de americanos sem casa, e provocaram o êxodo de muitos deles para Oeste, nomeadamente para a Califórnia, em busca de trabalho. Quando os Joad perdem a quinta de que eram rendeiros no Oklahoma, juntam-se a milhares de outros que ao longo das estradas se dirigem para Oeste, no sonho de conseguirem uma terra que possam considerar sua. E noite após noite, eles e os seus companheiros de desdita reinventam toda uma sociedade: escolhem-se líderes, redefinem-se códigos implícitos de generosidade, irrompem acessos de violência, de desejo brutal, de raiva assassina. Este romance que é universalmente considerado a obra-prima de John Steinbeck é o retrato épico do desapiedado conflito entre os poderosos e aqueles que nada têm, do modo como um homem pode reagir à injustiça, e também da força tranquila e estóica de uma mulher. As Vinhas da Ira é um marco da literatura norte-americana. (Fonte: Skoob)
"As Vinhas da Ira" era um livro que eu tinha muita vontade de ler, principalmente por ter ficado tão comovida com a leitura de "A Pérola", também do John Steinbeck, na época da faculdade. Comprei uma edição de bolso com um preço fazível na última Bienal do Livro de São Paulo e achei que era um bom jeito de começar a minha lista de leituras "100 Livros Essenciais da Literatura Mundial", da revista Bravo.
E, por Deus, não houve jeito melhor de abrir os trabalhos!
Mas falar de "As Vinhas da Ira" é tão difícil, são tantos sentimentos provocados e dolorosamente sentidos durante a sua leitura!
Steinbeck nos apresenta a família Joad aos poucos e aos poucos vamos nos deixando cativar por seus membros e dramas pessoais, pessoas simples unidas por um único objetivo: fugir de Oklahoma, onde já não há mais trabalho para os camponeses, e chegar à Califórnia, tendo a esperança de viver uma vida decente através do trabalho. A Depressão de 29 atingiu não só as pessoas nas cidades, mas também os trabalhadores no campo, que se viram desprovidos da terra – quase uma extensão sua – e também da sua dignidade.
O clima, um antagonista cruel, aliado ao "progresso" trazido pelas máquinas que tomaram o emprego de tantos homens e mulheres, é uma presença constante. Seja no calor e tempo seco inclementes, seja nos temporais quase bíblicos que fustigam os Joad. Nada parece contribuir para aliviar as agruras de um povo já tão maltratado.
Mas se há esse desalento trazido pelas adversidades, também há humanidade e solidariedade. Pessoas que se unem para que haja conforto e um pouco de decência, para que a vida seja um pouco mais que apenas sobrevivência. E durante toda a leitura há paralelos entre fartura e escassez, esperança e desespero, pecado e redenção. A narrativa de Steinbeck tem tantas passagens belas, de uma poesia crua e realista, mas comovente ao extremo.
"E à noite acontecia uma coisa estranha: as vinte famílias tornavam-se uma só família, os filhos de uma eram filhos de todas. A perda de um lar tornava-se uma perda coletiva, e o sonho dourado do Oeste, um sonho coletivo."
Inevitavelmente, não pude deixar de me lembrar de "Vidas Secas". Se Graciliano Ramos mostra a desumanização de seus personagens ao fugirem da seca, Steinbeck nos mostra a luta feroz desses personagens em manterem a sua humanidade. Nisso, preciso destacar o quanto a presença da Mãe Joad é fundamental para tal. A personagem que não tem nome, mas que assume em si com toda a propriedade o título de Mãe. Com letra maiúscula sim, sem a menor dúvida. É ela que tenta manter a família unida, pois sabe que só através dessa união eles podem sobreviver; é ela que ainda tenta manter uma rotina de normalidade, mesmo quando tudo parece desmoronar ao seu redor; é ela que busca dar conforto aos seus, que sustenta e dá força a todos.
"Para a mulher, tudo corre sem parar, que nem um rio, cheio de redemoinhos e cascatas, mas correndo sem parar. É assim que a mulher encara a vida. A gente não morre, a gente continua... muda, talvez, um pouco, mas continua sempre firme."
No mais, é um livro que recomendo muito. Pela sua estória e história, pela delicadeza e sensibilidade em tantos momentos, pela crueza e sinceridade em tantos outros, e por tantos personagens admiráveis. Steinbeck já se tornou um dos meus autores favoritos e foi com certa tristeza que terminei de ler a saga dos Joad.
Este livro faz parte da lista da revista Bravo com os "100 Livros Essenciais da Literatura Mundial". É só clicar na imagem abaixo para saber mais:
Este livro faz parte da lista da revista Bravo com os "100 Livros Essenciais da Literatura Mundial". É só clicar na imagem abaixo para saber mais:
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Desafio Bravo: Os 100 Livros Essenciais da Literatura Mundial
Conforme comentado na parte 1 deste post, estou fazendo parte do Desafio da revista Bravo, que publicou também uma lista com os "100 Livros Essenciais da Literatura Mundial":
1. Ilíada, de Homero
2. Odisseia, de Homero
3. Hamlet, de William Shakespeare
4. O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes
5. A Divina Comédia, de Dante Alighieri
6. Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust
7. Ulisses, de James Joyce
8. Guerra e Paz, de Leon Tosltói
9. Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski
10. Os Ensaios, de Michel de Montaigne
11. Édipo Rei, de Sófocles
12. Otelo, de William Shakespeare
13. Madame Bovary, de Gustave Flaubert
14. Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe
15. O Processo, de Franz Kafka
16. Doutor Fausto, de Thomas Mann
17. As Flores do Mal, de Charles Baudelaire
18. O Som e a Fúria, de William Faulkner
19. A Terra Desolada, de T. S. Eliot
20. Teogonia, de Hesíodo
21. Metamorfoses, de Ovídio
22. O Vermelho e o Negro, de Stendhal
23. O Grande Gatsby, de Francis Scott Fitzgerald
24. Uma Temporada no Inferno, de Arthur Rimbaud
25. Os Miseráveis, de Victor Hugo
26. O Estrangeiro, de Albert Camus
27. Medeia, de Eurípides
28. Eneida, de Virgílio
29. Noite de Reis, de William Shakespeare
30. Adeus às Armas, de Ernest Hemingway
31. O Coração das Trevas, de Joseph Conrad
32. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley
33. Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf
34. Moby Dick, de Herman Melville
35. Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe
36. A Comédia Humana, de Honoré de Balzac
37. Grandes Esperanças, de Charles Dickens
38. O Homem sem Qualidades, de Robert Musil
39. As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift
40. Finnegans Wake, de James Joyce
41. Os Lusíadas, de Luís de Camões
42. Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas
43. Retrato de uma Senhora, de Henry James
44. Decamerão, de Giovanni Boccaccio
45. Esperando Godot, de Samuel Beckett
46. 1984, de George Orwell
47. A Vida de Galileu, de Bertolt Brecht
48. Os Cantos de Maldoror, de Lautréamont
49. A Tarde de um Fauno, de Stéphane Mallarmé
50. Lolita, de Vladimir Nabokov
51. Tartufo, de Molière
52. As Três Irmãs, de Anton Tchekhov
53. O Livro das Mil e Uma Noites
54. O Burlador de Sevilha, de Tirso de Molina
55. Mensagem, de Fernando Pessoa
56. Paraíso Perdido, de John Milton
57. Robinson Crusoé, de Daniel Defoe
58. Os Moedeiros Falsos, de André Gide
59. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
60. O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde
61. Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello
62. As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll
63. A Náusea, de Jean-Paul Sartre
64. A Consciência de Zeno, de Italo Svevo
65. Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene Gladstone O’Neill
66. A Condição Humana, de André Malraux
67. Os Cantos, de Ezra Pund
68. Canções da Inocência-Canções da Experiência, de William Blake
69. Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams
70. Ficções, de Jorge Luis Borges
71. O Rinoceronte, de Eugène Ionesco
72. A Morte de Virgílio, de Hermann Broch
73. Folhas de Relva, de Walt Whitman
74. O Deseros dos Tártaros, de Dino Buzzati
75. Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez
76. Viagem ao Fim da Noite, de Louis-Ferdinand Céline
77. A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queirós
78. O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar
79. As Vinhas da Ira, de John Steinbeck - Resenha
80. Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar
81. O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger
82. As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain
83. Contos - Hans Christian Andersen
84. O Leopardo, de Tomasi di Lampedusa
85. A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy, de Laurence Sterne
86. Uma Passagem para a Índia, de Edward Morgan Forster
87. Orgulho e Preconceito, de Jane Austen
88. Trópico de Câncer, de Henry Miller
89. Pais e Filhos, de Ivan Turguêniev
90. O Náufrago, de Thomas Bernhard
91. A Epopeia de Gilgamesh
92. O Mahabharata
93. As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino
94. Oh The Road, de Jack Kerouac
95. O Lobo da Estepe, de Herman Hesse
96. O Complexo de Portnoy, de Philip Roth
97. Reparação, de Ian McEwan
98. Desonra, de J. M. Coetzee
99. As Irmãs Makioka, de Junichiro Tanizaki
100. Pedro Páramo, de Juan Rulfo
Já fiz a minha primeira leitura programada para este desafio e, nesta semana ainda, já teremos resenha dele aqui no Solilóquio. Alguns livros da lista acima já foram lidos por mim, mas provavelmente vou acabar relendo para postar a resenha aqui.
Faça parte você também e que tenhamos fôlego pra tanta leitura. Amém! :D
Ps: O post da Dani pode ser visto aqui.
Desafio Bravo: Os 100 Livros Essenciais da Literatura Brasileira
Como parte da minha tentativa de me empolgar com a vida de blogueira (gente, tô saindo do armário e me assumindo blogueira, vejam só!), resolvi participar também, depois de um convite nada insistente da Dani (Vintecinco Devaneios), do Desafio da revista Bravo, que contém uma lista com os "100 Livros Essenciais da Literatura Brasileira":
- Adélia Prado: Bagagem
- Aluísio Azevedo: O Cortiço
- Álvares de Azevedo: Lira dos Vinte Anos
- Álvares de Azevedo: Noite na Taverna
- Antonio Callado: Quarup
- Antônio de Alcântara Machado: Brás, Bexiga e Barra Funda
- Ariano Suassuna: Romance d'A Pedra do Reino
- Augusto de Campos: Viva Vaia
- Augusto dos Anjos: Eu
- Autran Dourado: Ópera dos Mortos
- Basílio da Gama: O Uraguai
- Bernando Élis: O Tronco
- Bernando Guimarães: A Escrava Isaura
- Caio Fernando Abreu: Morangos Mofados
- Carlos Drummond de Andrade: A Rosa do Povo
- Carlos Drummond de Andrade: Claro Enigma
- Castro Alves: Os Escravos
- Castro Alves: Espumas Flutuantes
- Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência
- Cecília Meireles: Mar Absoluto
- Clarice Lispector: A Paixão Segundo G.H.
- Clarice Lispector: Laços de Família
- Cruz e Souza: Broquéis
- Dalton Trevisan: O Vampiro de Curitiba
- Dias Gomes: O Pagador de Promessas
- Dyonélio Machado: Os Ratos
- Erico Verissimo: O Tempo e o Vento
- Euclides da Cunha: Os Sertões
- Fernando Gabeira: O que é Isso, Companheiro?
- Fernando Sabino: O Encontro Marcado
- Ferreira Gullar: Poema Sujo
- Gonçalves Dias: I-Juca Pirama
- Graça Aranha: Canaã
- Graciliano Ramos: Vidas Secas
- Graciliano Ramos: São Bernardo
- Gregório de Matos: Obra Poética
- Guimarães Rosa: O Grande Sertão: Veredas
- Guimarães Rosa: Sagarana
- Haroldo de Campos: Galáxias
- Hilda Hilst: A Obscena Senhora D
- Ignágio de Loyola Brandão: Zero
- João Antônio: Malagueta, Perus e Bacanaço
- João Cabral de Melo Neto: Morte e Vida Severina
- João do Rio: A Alma Encantadora das Ruas
- João Gilberto Noll: Harmada
- João Simões Lopes Neto: Contos Gauchescos
- João Ubaldo Ribeiro: Viva o Povo Brasileiro
- Joaquim Manuel de Macedo: A Moreninha
- Jorge Amado: Gabriela, Cravo e Canela
- Jorge Amado: Terras do Sem Fim
- Jorge de Lima: Invenção de Orfeu
- José Cândido de Carvalho: O Coronel e o Lobisomen
- José de Alencar: O Guarani
- José de Alencar: Lucíola
- José J. Veiga: Os Cavalinhos de Platiplanto
- José Lins do Rego: Fogo Morto
- Lima Barreto: Triste Fim de Policarpo Quaresma
- Lúcio Cardoso: Crônica da Casa Assassinada
- Luis Fernando Verissimo: O Analista de Bagé
- Luiz Vilela: Tremor de Terra
- Lygia Fagundes Telles: As Meninas
- Lygia Fagundes Telles: Seminário dos Ratos
- Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas
- Machado de Assis: Dom Casmurro
- Manuel Antônio de Almeida: Memórias de um Sargento de Milícias
- Manuel Bandeira: Libertinagem
- Manuel Bandeira: Estrela da Manhã
- Márcio Souza: Galvez, Imperador do Acre
- Mário de Andrade: Macunaíma;
- Mário de Andrade: Paulicéia Desvairada
- Mário Faustino: o Homem e Sua Hora
- Mário Quintana: Nova Antologia Poética
- Marques Rebelo: A Estrela Sobe
- Menotti Del Picchia: Juca Mulato
- Monteiro Lobato: O Sítio do Pica-pau Amarelo
- Murilo Mendes: As Metamorfoses
- Murilo Rubião: O Ex-Mágico
- Nelson Rodrigues: Vestido de Noiva
- Nelson Rodrigues: A Vida Como Ela É
- Olavo Bilac: Poesias
- Osman Lins: Avalovara
- Oswald de Andrade: Serafim Ponte Grande
- Oswald de Andrade: Memórias Sentimentais de João Miramar
- Otto Lara Resende: O Braço Direito
- Padre Antônio Vieira: Sermões
- Paulo Leminski: Catatau
- Pedro Nava: Baú de Ossos
- Plínio Marcos: Navalha de Carne
- Rachel de Queiroz: O Quinze
- Raduan Nassar: Lavoura Arcaica
- Raduan Nassar: Um Copo de Cólera
- Raul Pompéia: O Ateneu
- Rubem Braga: 200 Crônicas Escolhidas
- Rubem Fonseca: A Coleira do Cão
- Sérgio Sant'Anna: A Senhorita Simpson
- Stanislaw Ponte Preta: Febeapá
- Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu
- Tomás Antônio Gonzaga: Cartas Chilenas
- Vinícius de Moraes: Nova Antologia Poética
- Visconde de Taunay: Inocência
Alguns dos livros acima eu já li, mas vou reler para poder colocar a resenha direitinho aqui no Solóquios - mesmo aqueles que sei não ser muito fã (mancada ter "O Guarani" nessa lista, viu!). A revista Bravo também publicou uma lista com os "100 Livros Essenciais da Literatura Mundial", e que vai ser a parte 2 deste post. Aguardem.
O desafio foi visto originalmente pela Dani no vlog da Tatiana Feltrin, que pode ser conferido aqui.
Faça parte você também e que tenhamos fôlego pra tanta leitura. Amém! :D
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
#Projeto Cronológico: Jane Austen
Aloha, my friends!
O blog anda parado e eu estava desanimada demais nos últimos tempos. Mas depois da última Bienal do Livro em SP voltei carregada de livros (e projetos) novos, então resolvi aderir a uma série de novos desafios a serem postados aqui. Aguardem!
O Projeto Cronológico foi criado pela Dani (do blog Vintecinco Devaneios) e consiste em se escolher determinado autor e ler todas as suas obras ou uma determinada série em ordem cronológica. Demorei mais de um ano para me decidir (tantas opções, meudeus!), mas acabei optando pelos romances de Jane Austen, uma autora que gosto muito - e assim aproveito para ler as obras desconhecidas e reler as já conhecidas:
- Sense and Sensibility (1811)
- Pride and Prejudice (1813)
- Mansfield Park (1814)
- Emma (1815)
- Northanger Abbey (1818)
- Persuasion (1818)
Pensei em seguir a obra completa da autora, mas há vários textos incompletos e obscuros, que não sei se conseguiria encontrar facilmente, por isso preferi optar pelos romances. E o projeto não exige nada muito rígido, então vai ser algo legal de se participar.
Faça parte você também, colega bookworm!
Editado: O post da Dani pode ser encontrado aqui!
Faça parte você também, colega bookworm!
Editado: O post da Dani pode ser encontrado aqui!
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
#MusicMonday: Falling Slowly ("Once" Soundtrack)
Uma das melhores coisas que me aconteceu nos últimos tempos foi a indicação do musical "Once - Apenas uma vez". O filme/musical em si não tem nada de extraordinário: um músico de rua conhece uma mocinha e é basicamente o relacionamento entre os dois, suas vidas e a música. E é lindo e doce e fofo ao extremo. Ponto. Fiquei apaixonada pela trilha sonora (e pelo sotaque amor de todo mundo - irlandeses pra todos os lados!) de tal maneira, que passei o final de semana todo ouvindo. Tem uma pegada meio Mumford and Sons (que amo tanto!) e me deixa calma e relaxada demais. Super recomendado!
sábado, 16 de agosto de 2014
Inconsequência
I -
Ele soube que seria assim, logo no princípio.
Uma
loucura.
Porque
era insano pensar que logo no primeiro olhar as coisas mudariam tão
repentina e drasticamente em sua vida.
Diziam
que era o tal Amor, que finalmente o fisgara com suas garras
inexpugnáveis, mas ele julgava ser apenas uma ilusão, algo que não
duraria mais que uma estação. Volúvel - foi o que ele
considerou ser.
Poderia
dizer que fora o jeito espontâneo que o cativara, ou o sorriso
carismático, como quem carrega em si toda a vida e liberdade do
mundo. Não sabia dizer, pois também havia os olhos, fossem as íris
azuis ou negras ou cor de mel. Não, os olhares é que eram
luminosos. Doces e apimentados, algo de sensual e
descontraído, como quem não tem a intenção de seduzir.
Era obsessão.
Tal qual
um mortal dedica à dona de seus amores.
II -
Ele soube que seria assim, logo no princípio.
Inevitável.
A eterna
e ancestral atração. Tão poderosa quanto o mais primitivo desejo,
algo que ia além do seu poder de resistência tão logo provara do
seu beijo pela primeira vez.
E ele
descobriu que estava perdido.
Oh, tão
completa e deliciosamente perdido...
E sabia
ser o responsável por aquilo porque ele era o malvado lobo
que, com sua voz rouca e macia, a conquistou, a seduziu, a arrebatou.
Fora ele que, como o lobo que compartilhava de sua alma solitária, a
vigiou com seu olhar penetrante, pois não sabia como resistir àquela
fascinação.
Estava se
entregando.
Porque há
coisas que nascem para ser assim. Por toda a vida. Até a morte.
Porque amar é morrer um pouco por dia e somente renascer em virtude
da reciprocidade desse amor. Era, sim, uma loucura, mas existe algo
que seja assim, absolutamente racional?
Irracional,
era assim que ele se sentia. Tão perigoso quanto o lobo que
espreitava por detrás de seus olhos ambarinos.
Desesperado.
Que
fosse!
Novamente, era aquele instinto tão forte e arraigado e passional turvando-lhe a
racionalidade. Ele a desejava. Mais que tudo. E, oh céus... era
retribuído neste sentimento, nos sorrisos, nos olhares... e ele, que
se achava o caçador, quedou-se mudo em espanto e entrega: fora
subjugado pela intrépida ninfa de olhos brilhantes e sorrisos
matreiros e risada fácil.
III -
Ele soube que seria assim, logo no princípio.
Delírio.
No quarto
decrépito, apenas a luz incerta de uma chama iluminava o aposento.
Luz suficiente para ele ter a plena visão do que se negara a admitir
ser o objeto de seu amor.
Os dedos,
incertos a princípio, percorriam cada detalhe do corpo amado e
arrancavam gemidos e suspiros e promessas: ela era sua, sempre o
seria, até a morte.
E ele
morria mais um pouquinho por dentro e se entregava com o mesmo furor
que um guerreiro ante a sua última batalha.
Os lábios
deslizavam pela pele macia e perfumada, cheiro de frutas doces,
degustando aquela especiaria.
Como se
fosse a primeira e última vez. Porque seria sempre assim, com a
impetuosidade de uma tempestade de verão. Breve e refrescante,
carregando em si o poder da transformação.
Inconsequência
- era o que uma voz insistente teimava em lhe dizer, bem lá no
recanto mais obscuro de sua mente.
Sim, ele
o sabia, tinha consciência que a sua paixão condenaria a ambos tão implacavelmente quanto uma maldição de morte.
Era
letal.
Porque
quanto mais ele a amava, mais ele morria por dentro e necessitava do
amor dela para renascer outra vez.
IV -
Ele soube que seria assim, logo no princípio.
Verdadeiro.
Tão
breve e intenso e impetuoso quanto uma tempestade de verão. Com seus
aromas de doces frutas e suas constantes oscilações e sua
desesperada vontade de ser feliz.
Era
fatal.
E, no
momento derradeiro, veio a certeza de que a sua inconsequência
condenara a ambos. Por toda a eternidade.
Porque
ela prometera ser sua até a morte e para além dela.
E foi
assim que aconteceu.
(Estou me apropriando descaradamente das coisas da Morgana. Eu sei, é feio, mas ainda gosto muito deste texto, que recebeu uma pequena reformulação do original. Ideias estão começando a vir. Ainda tímidas, ainda vagas, mas estão vindo. Vem, Morgana, vem!)
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Resenha: O Chamado do Cuco, Robert Galbraith
Sinopse: Quando uma modelo problemática cai para a morte de uma varanda coberta de neve, presume-se que ela tenha cometido suicídio. No entanto, seu irmão tem suas dúvidas e decide chamar o detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso.
Strike é um veterano de guerra, ferido física e psicologicamente, e sua vida está em desordem. O caso lhe garante uma sobrevida financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais ele mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrias ficam as coisas e mais perto do perigo ele chega.
Um emocionante mistério mergulhado na atmosfera de Londres, das abafadas ruas de Mayfair e bares clandestinos do East End para a agitação do Soho. O chamado do Cuco é um livro maravilhoso. Apresentando Cormoran Strike, este é um romance policial clássico na tradição de P.D. James e Ruth Rendell, e marca o início de uma série única de mistérios. (Fonte: Skoob)
Adoro romance policial. Gosto da atmosfera, o construir de possibilidades e seguir as pistas junto com o próprio detetive da história. Sou apaixonada mesmo, embora não tenha lido tanto quanto gostaria. Quando soube que a Rowling, sob o pseudônimo de Robert Galbraith, escreveu um romance policial, tive lá os meus receios - ainda é difícil não associá-la ao universo potteriano, principalmente por ter recebido críticas divididas em relação ao seu primeiro romance "adulto", Morte Súbita.
Mas fui seduzida pela narrativa de O Chamado do Cuco logo nas primeiras páginas.
O enredo não tem nada de mirabolante: a modelo Lula Landry cai da sua sacada e o irmão adotivo dela não acredita ser um suicídio, mas que alguém a assassinou. Contra as certezas de todos próximos a Lula, John, o irmão adotivo, contrata os serviços de Cormoran Strike, um veterano de guerra com um passado (e presente) conturbado, que acaba encontrando na secretária temporária Robin a sua contraparte, que consegue enxergar coisas que ele não vê e improvisar maravilhosamente bem.
E foi aí que me apaixonei de vez pelo livro, porque a construção de todos os personagens é fantástica. Cormoran tem uma complexidade única e, como todo bom detetive, tem um código de ética que lhe é muito próprio. O seu modo sistemático de investigação é interessante, pois muitas vezes ele deixa as coisas fluírem de certo modo que as informações acabam lhe sendo entregues. Já Robin tem todo um maravilhamento pelo trabalho do detetive, mas agindo quase como o anjo da guarda dele na maior parte do tempo. Simplesmente adorei os dois.
Conforme embarcamos no universo de Lula, descobrimos mais sobre o seu passado e o seu relacionamento complicado com as pessoas que a cercavam. Há uma atmosfera sufocante por conta da constante perseguição dos paparazzi, a preocupação com a imagem a ser transmitida e com o status a ser mantido, de um jeito ou de outro, por cada um dos personagens. E Londres é o cenário perfeito para essa história, com seu clima cinzento e pesado.
Como disse, o enredo em si é até bem simples. Contudo, a graça toda é desconfiar de tudo e de todos, tentar enxergar pistas e detalhes em cada cena, cada diálogo, e interpretar as intenções de cada figura que vai sendo apresentada. Formulei um sem número de teorias durante a leitura, mas que se provaram completamente erradas quando o mistério todo é solucionado. E que fez o meu queixo cair, porque me surpreendeu um bocado.
Fiquei agradavelmente surpresa com este primeiro livro de Robert Galbraith (vulgo J.K. Rowling). Sei que outros virão e com certeza vou acompanhar mais a dupla Cormoran e Robin.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
#Music Monday: Space Oddity, David Bowie
"Planet Earth is blue and there's nothing I can do"
Fiquei ouvindo essa música repetidamente hoje e adoro o trocadilho feito com a palavra blue aqui. É Bowie, minha gente!
domingo, 4 de maio de 2014
(Ins)(Ex)piração
A
primeira vez em que ouvi falar da expressão "hiato criativo", fiquei
toda confusa, querendo entender o que diabos um encontro vocálico tinha a ver
com a malfadada falta de inspiração. Só depois de um tempo fui saber o seu
significado, mas compreender em sua totalidade foi outra história.
Ou não.
Porque, no caso, foi justamente a falta de história o que ocasionou o meu
primeiro "bloqueio". Ah, palavras conhecidas e estranhas para
traduzirem o que aquela sensação de vazio e estufamento e excesso de ideias e
falta de meios e maneiras...
Ok, estou sendo confusa e prolixa.
Sabem aquela sensação de fome, quando o seu estômago acaba doendo tanto que o
apetite desaparece? Ou então quando você chega em casa muito cansado, depois de
ter enfrentado um dia atribulado no trabalho, mais horas intermináveis
estudando coisas que você sabe que vai esquecer assim que fizer a famigerada
prova final, e ainda ter suportado mais algum tempo no ônibus lotado, mas ainda
assim, quando chega o bendito momento de descanso, você simplesmente não
consegue dormir por estar exausto demais?
Pensei em escrever sobre a falta de sensibilidade humana, ou sobre crianças,
flores e brincadeiras de roda. Tracei roteiros para viagens fantásticas a universos além do infinito, procurando rotas que me levassem para as mais
inimagináveis fantasias. Sonhei com diálogos profundos e complexos, quando
pessoas distintas e complementares acabam por encontrarem a chave para o
extraordinário. Também pensei em escrever sobre amores irreais, quando amantes
prometidos descobrem que o destino não era tão inexorável assim e que paixões
são eternas até o momento em que a rotina mostra que outras coisas importam
mais em um relacionamento.
Ideias, planos, roteiros - os mais mirabolantes e fantasiosos, sem dúvidas -
levaram-me a madrugadas insones e devaneios avassaladores e dores de cabeça
(como seriam as dores de parto?); e eu mal partia de um ponto, porque ao me
deparar com meus livros favoritos, eu sabia da minha mediocridade e
insignificância perante os contos que têm embalado a minha existência.
(Escrito em 14/08/2008 e que tem definido tão bem a minha atual situação. Volta, Morgana, volta!)
sábado, 29 de março de 2014
Making me up
Costumavam
brincar comigo, dizendo que aquilo não era apenas uma rotina, mas
sim um ritual – e eu era a Suma Sacerdotisa, saudando um novo dia
em seu templo sagrado. Todos os objetos cuidadosamente dispostos
sobre a penteadeira, inclusive o espelho de aumento, amplificando
muitas e muitas vezes os detalhes que o tempo esculpiu em meu rosto.
Louvo cada pé-de-galinha, cada linha de expressão, por serem
lembretes dos anos bem vividos e também dos problemas e dificuldades
enfrentados. Sou Gaia, filha do Caos, e também aquela que gerou
Cronos.
Com o
adstringente, limpo todas as impurezas que se acumulam em cada poro,
todos os comentários infelizes e acusações infundadas que são
atiradas a todo momento contra mim. Nada disso me pertence mais e a
sensação de limpeza renova-me. Sou uma tela em branco, virginal,
pronta para me transformar em arte. Sou Perséfone, deusa da
primavera, mas também aquela que comunga com o submundo.
Pouco a
pouco, as pequenas manchas e máculas são disfarçadas e encobertas.
Não o tempo todo e nunca por completo. Sinto uma estranha satisfação
em contemplar as assim consideradas “falhas”. Abençoo as minhas
imperfeições, abraço
a minha mortalidade trágica à busca incessante pela juventude
fugaz. Com traços firmes, os olhos são delineados em preto.
Preparo-me como uma rainha amazona ante sua próxima batalha. Sou
Atena, portadora da égide divina; sou Diana, a donzela caçadora; e
também sou Morrigan, a rainha fantasma.
Embora
trabalhe com leveza, a mão aplica uma sombra escura sobre as
pálpebras. Quero infligir a ira divina no coração dos homens,
perturbá-los com o meu olhar incoerente. Carrego os mistérios do
oculto, das verdades imutáveis e não-ditas, dos desejos secretos,
escondidos sob uma fina camada de pó de estrelas. Sou Nimue, a dama
do lago; sou Hécate e sou Ísis, senhoras da magia.
Por fim
os lábios, rubros rubros rubros. Enrubescidos como sangue, como
fruta madura, como o desejo latente pulsando em cada célula
irrequieta. O toque macio da pintura é como a carícia de um amante,
deixando a sua marca visível aos olhos do mundo por breves e
deliciosos momentos. Sua paixão estampada em mim é tão envolvente
quanto os amores de Vênus e tão atemorizante quanto Kali, a
destruidora. Porque evoco em mim o que há de encantador e terrível.
Armo-me
para enfrentar o mundo diariamente, enfeito os cabelos presos com
pedras brilhantes, colorindo o rosto com a minha pintura de guerra.
Para me definir, para me agradar, me enamorar. Porque sou mulher e
pertenço a mim, somente a mim. E isso me basta.
(Escrito
em 26/03/2014 e faz parte da série "coisas estranhas que a senhoura dona jéssica pensa de manhã muito muito cedo".)
segunda-feira, 17 de março de 2014
#Music Monday: Come on Eileen (Dexys Midnight Runners)
Porque ouvi essa música no desescute e estou com ela na cabeça desde sábado. E é da trilha sonora da adaptação de "As vantagens de ser invisível", que é um dos meus filmes favoritos sobre adolescência e angústia juvenil. E a cena que toca essa música é super fofinha.
domingo, 16 de março de 2014
Garota sozinha procura
Não
tinha como ignorar a moça que batia ponto todo dia no
estabelecimento.
Ele
era um péssimo fisionomista, sempre o fora, e provavelmente sempre o
seria. O que podia ser um problema para alguém que exercia aquele
tipo de profissão, que dependia da extrema atenção para cativar a
clientela. Mas, como ele adorava insistir, havia outros "atributos"
que o tornavam competente, e por ora isso lhe era o bastante.
No
começo ela só aparecia lá alguns escassos minutos por dia, para
uma rapidinha.
Ele não lhe dava muita atenção: ele tinha lá a sua freguesia
exigente para satisfazer, cada qual com um gosto próprio e peculiar
nos sentidos mais únicos.
Ah,
o nome?
Não,
não, ele não sabia o nome dela. E como dizia o famoso bardo: "o
que chamamos rosa com outro nome não teria igual perfume?"
Ok,
talvez ele estivesse ficando um pouco meloso e enamorado demais,
mas era preciso ser uma pessoa passional para trabalhar naquele ramo,
ou de outro modo não sobreviveria. Quer dizer, claro que
sobreviveria, mas acabaria se sentindo mais um objeto, assim como
tudo à sua volta.
E
sim, ele admitia ser um bocado dramático.
Mas
voltemos a "ela".
O
que começou com visitas esporádicas ao estabelecimento - que ele
não sabia determinar ao certo quando começaram - acabou se tornando
uma rotina consistente e impossível de ser ignorada. Mais
uma viciada, tsk! Ele
queria dizer que era algo romântico e puro, mas do Romantismo a
única coisa que havia ali era a apreciação (dizem!) por conteúdos
que faziam esquecer a realidade. Ele era um rapaz passional, sim
senhor, mas não gostava daquela patifaria de
usar subterfúgios para se alienar. Preferia mais
os dramas reais do que as irrealidades românticas.
Mas
estava sendo duro demais com a pobre mocinha: vai saber que tipo de
carências ela tinha, não é? Cada qual com seu cada qual, como o
falecido avô sempre recitava.
Como
já dito, ele era péssimo fisionomista. Não se lembrava se era
morena ou ruiva, a cor dos olhos, nem nada fisicamente marcante. Era
como se fosse uma entidade,
sem rosto, apenas uma presença constante e silenciosa, sem laços
que a prendessem a nada. Contudo, ele era bom em definir
personalidades através de pequenas pistas. E também tinha um certo
faro sherlockiano (amador
e rústico, meu caro Watson!) que contribuía para o seu hobby
favorito. Ele queria... ou melhor, ele precisava entender
o que levava aquela moça a tal antro, todos os dias, se era romance
ou aventura, se almejava um sentido filosófico ou místico, sempre buscando algo que provavelmente nem ela mesma sabia
o que era.
Ela
saía sempre com um novo amante e, por pouco tempo, isso lhe bastava.
Entretanto, ainda não era o Escolhido, aquele que teria um lugar
cativo em seu quarto e em sua vida. E em breve retornava ao
estabelecimento, olhos brilhantes e respiração suspensa, talvez
achando que naquele dia seria capaz de encontrar algo que a
enamorasse por um período mais longo que alguns poucos dias.
Depois
de semanas de observação cuidadosa ele ainda não sabia como a
conquistaria. Ela flertava com tudo o que seus olhos capturavam,
tocava e sentia o aspecto físico de seus amados através de carícias
dissimuladas, mas não ia além. Não tinha pressa.
Era como um peregrino que vagueia durante anos em busca do seu
Graal, sem se importar com a demora - a jornada em si era o que
importava.
Um
dia teria a sua estória, o seu romance ideal. Um dia teria algo que
finalmente marcaria e acompanharia a sua vida para sempre.
Porque ela simplesmente não se importava por amar o ficcional.
(escrito
inicialmente em 18/08/2011 e reescrito um bocado de vezes. e que
só está sendo publicado por causa da betagem pontual da Dani, que deu uma melhorada significativa no texto.)
segunda-feira, 3 de março de 2014
#Music Monday: Rubber Soul (Beatles)
Seguindo o meu projeto de ouvir um álbum dos Beatles por vez para conhecer melhor a discografia de uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos. E que amor é passar a segunda-feira de carnaval ouvindo "Rubber Soul"!
Lado A
1. "Drive My Car"
2. "Norwegian Wood (This Bird Has Flown)"
3. "You Won't See Me"
4. "Nowhere Man"
5. "Think for Yourself"
6. "The Word"
7. "Michelle"
Lado B
1. "What Goes On"
2. "Girl"
3. "I'm Looking Through You"
4. "In My Life"
5. "Wait"
6. "If I Needed Someone"
7. "Run for Your Life"
Menção honrosa: "Norwegian Wood (This Bird Has Flown)", "Girl" e "In my life".
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